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terça-feira, 30 de setembro de 2008

A LEI SECA

Em 19 de junho de 2008 entrou em vigor a Lei 11.705 que ficou conhecida como "lei seca". Ela considera autor de uma infração administrativa o motorista que dirigir sob a influência de álcool, considerando como tal, qualquer concentração de álcool por litro de sangue (artigos 165, c/c o 276), sujeitando-o a uma multa de R$ 955 e suspensão da habilitação para dirigir por um ano; e crime, com pena de seis meses a três anos, se essa quantidade encontrada for igual ou superior a 0,6 (6 decigramas por litro de sangue) ou 0,3 mg/l de ar expelido.


Fonte: http://migre.me/5AEVt

Na prática, há muito tempo é proibido dirigir alcoolizado. A mudança real que a Lei seca impõe é a punição mais rigorosa para os motoristas flagrados cometendo essa infração e o aumento da fiscalização. E é acompanhada de outras medidas como a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas rodovias feredais, exceto nas áreas urbanas, e a um tratamento mais rigoroso às lesões culposas de trânsito. O objetivo da aprovação da lei é minimizar os acidentes de trãnsito que, segundo as estatísticas da Polícia Rodoviária Federal e do Denatran, tem como uma das principais vilãs a combinação entre álcool e direção. São mais de 50 mil mortos em acidentes por ano no país.

No entanto os limites impostos e o rigor da punição geraram polêmica. Alguns juristas acreditam que a interpretação de que o novo crime de embriaguez ao volante, constitui crime de perigo abstrato, é inconstitucional por ser desarrazoável, assim como, a infração administrativa (multa e suspensão) aplicada para quem dirigir e tiver consumido qualquer quantidade de álcool. A sociedade se sente desestimulada a cumprir a lei devido ao seu rigor considerado extremo, já que em alguns casos, um simples doce com licor pode produzir o nível de álcool proibido aos motoristas.

Há, portanto, um desafio a ser encarado pelo governo e pela sociedade. Mas é importante destacar que, independentemente de medidas severas ou não, é preciso conscientização da população contra os excessos que podem causar as tragédias que, infelizmente, nos acostumamos a presenciar diariamente no Brasil.

sábado, 30 de agosto de 2008

OS BURROS SEM RABO

Os burros sem rabo, como são chamados no Rio de Janeiro, são pessoas que sobrevivem da coleta de lixo urbano reciclável (papel, papelão, latas de alumínio, garrafas PET etc.). Eles transportam esse lixo em carrinhos de mão feitos, em geral, de estruturas de ferro ou madeira, armadas sobre rodas. Embora a função seja importante, pois eles fazem a coleta seletiva que a população não faz, reduzindo o volume de lixo nas ruas, os burros sem rabo são seres socialmente invisíveis.


Fonte: http://www.flickr.com/photos/alexnj/999425932/

Pesquisas recentes comprovam que existe uma "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se não a pessoa mas a função social que ela ocupa. Um psicólogo da USP fingiu ser gari por oito anos dentro da universidade e não foi notado pelos próprios colegas de departamento enquanto vestia o uniforme de gari. Quando vestia suas roupas comuns ele era visto pelas pessoas. Os garis são seres socialmente invisíveis assim como os burros sem rabo.

O cineasta Sérgio Bloch lançou, em 1997, um documentário com o título "Burro sem rabo", abordando exatamente a questão do trabalho dessas pessoas nas ruas do Rio de Janeiro. Com seus carrinhos de mão eles transportam lixo para depósitos que recebem esses materiais e revendem para reciclagem. O desemprego é uma das razões que colocam o Brasil na lista dos campeões de reciclagem. Esses trabalhadores informais, por falta de opção, se inserem nesse meio e contribuem para esse processo.

Mas nem sempre são só adultos que participam dessa rede de transportadores informais de lixo reciclável. Com alguma frequência são encontradas crianças trabalhando nesse ramo. "Bilu e João" curta-metragem diretora brasileira-estadunidense Kátia Lund, que integra o projeto "All the invisible children" - "Crianças invisíveis", mostra a realidade de duas crianças que saem pelas ruas de São Paulo juntando latas e papelão para vender e, com o dinheiro, comprar tijolos para a reforma da casa onde moram, em uma favela da periferia da cidade. Bilu e João são burros sem rabo, crianças invisíveis que refletem a desigualdade social do país.

Veja neste link o filme de Kátia Lund.