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LINK: https://youtu.be/tLVp5uaGhuA
1. A Nova Ordem Mundial: Da Unipolaridade à Multipolaridade
Com
o fim da Guerra Fria, o cenário internacional passou por uma transformação
radical. Embora a hegemonia dos Estados Unidos tenha se consolidado nos anos
1990 (unipolaridade), o fortalecimento de novos polos de poder deu origem a
uma nova multipolaridade. Nesse contexto, surgem as potências
emergentes, tecnicamente definidas como países subdesenvolvidos
industrializados.
- Baixo custo de produção: Mão
de obra e recursos mais acessíveis, permitindo maior competitividade.
- Mercado consumidor potencial: Populações
vastas com demanda por consumo em rápida expansão.
- Alto potencial de lucro: Economias
com maior margem para crescimento acelerado do que os mercados saturados
do G-7.
Essa ascensão econômica impulsionou a necessidade de esses países se organizarem em blocos e fóruns de discussão global, como o G-20.
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2. O
Tabuleiro do G-20: Financeiro vs. Comercial
O
G-20 é a principal organização que reúne as maiores economias do planeta,
representando cerca de 80% do PIB mundial. Contudo, para fins pedagógicos,
precisamos diferenciar dois grupos distintos:
|
Critério |
G-20 Financeiro |
G-20 Comercial |
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Origem / Contexto |
Criado em 1999, após crises financeiras em países
emergentes. |
Criado em 2001, durante negociações da OMC. |
|
Membros Principais |
G-8, União Europeia e os principais emergentes (China,
Brasil, Índia, etc.). |
Países em desenvolvimento liderados por Brasil e Índia. |
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Objetivo Central |
Discutir a estabilidade e a arquitetura do sistema
financeiro internacional. |
Pressionar pelo fim de subsídios agrícolas e pelo fim do
protecionismo dos países ricos. |
Síntese de Insight: O G-20 Financeiro ganhou relevância máxima após a crise de 2008. Percebeu-se que o antigo G-8 (países ricos) não tinha mais fôlego para resolver crises globais sozinho; era indispensável que os emergentes estivessem à mesa de decisões.
Mas se o G-20 é o fórum de discussão ampliada, o BRICS tornou-se o símbolo da união pragmática desses novos gigantes.
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3.
BRICS: O Bloco da Nova Economia
O termo BRIC foi cunhado em 2001 por Jim O’Neill para designar os "tijolos" (bricks) da nova economia global. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China, o grupo incluiu a África do Sul em 2010. Um detalhe crucial para sua análise é a hegemonia interna: a economia da China, na prática, é maior do que a dos outros quatro países somados, o que gera disparidades no bloco.
O
poder do grupo baseia-se em quatro pilares fundamentais:
- População: Abriga
cerca de 40% da população mundial.
- Território: Países
de dimensões continentais com enorme controle espacial.
- Recursos Naturais: Grandes
reservas estratégicas de água, ferro, terras raras e energia.
- Poder Nuclear e Militar: China, Rússia e Índia são potências nucleares; China e Rússia ocupam assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU.
O
BRICS contesta a ordem estabelecida pelo Ocidente através de quatro frentes:
- Mídia: Crítica à
narrativa ocidental, buscando fontes alternativas de informação.
- FMI: Criação do
Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS) para rivalizar com o
sistema de Bretton Woods.
- Dólar: Projetos
de "desdolarização" para reduzir a dependência da moeda
americana.
- Idioma: Contestação da hegemonia do inglês como único idioma global.
Apesar da união econômica, o bloco enfrenta tensões territoriais severas, especialmente envolvendo a Rússia.
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4. O
Conflito Rússia e Ucrânia: Raízes e Cicatrizes
A
invasão da Ucrânia em 2022 é o ápice de uma disputa que remonta à fragmentação
da URSS em 1991, que deu origem a 15 novos Estados com fronteiras nem sempre
consensuais.
- A Questão da OTAN vs. Pacto de Varsóvia: Com
o fim do Pacto de Varsóvia, a OTAN expandiu-se para o Leste Europeu
(incorporando países como Polônia e os Bálticos). A Rússia vê esse avanço
como uma ameaça existencial.
- A Divisão Interna da Ucrânia: O
país é etnicamente dividido. O Oeste (Kiev) busca
integração com a Europa. O Leste (Donbass) e a Crimeia possuem
maioria russa. O gatilho para a crise recente foi o movimento Euromaidan
(2013), que derrubou o presidente pró-Moscou Viktor Yanukovich,
levando à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014.
- O Papel Estratégico da Crimeia e Donbass: A Crimeia sedia a base naval de Sebastopol, crucial para o poder naval russo no Mar Negro. Já o Donbass (Donetsk e Luhansk) é o coração industrial onde a Rússia alega proteger populações de origem russa.
Destaque Geoeconômico: A Arma do Gás A Rússia detém 24% de todas as reservas conhecidas de gás natural no mundo. Como maior exportadora global, utiliza seus gasodutos como ferramenta de barganha política, dada a dependência crítica da União Europeia desses recursos.
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5.
Índia e a Disputa pela Caxemira
A
Índia é uma potência de contrastes: é a maior produtora de softwares do mundo,
mas mantém uma agricultura tradicional de exportação de base colonial.
- Marcos Populacionais: Em 2023,
a Índia atingiu o marco histórico de ultrapassar a China, tornando-se
o país mais populoso do mundo.
- O Conflito da Caxemira: Disputada
com o Paquistão, a região possui maioria muçulmana (mais de 60%), mas é
administrada pela Índia (de maioria hindu).
- Risco Atômico: O maior perigo reside no fato de ambos os vizinhos possuírem arsenais nucleares.
"So What?" para o aprendiz: A Caxemira não é apenas território; é um ponto de honra nacional e religiosa em uma das áreas mais militarizadas do planeta.
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6. A
Hegemonia Chinesa e suas Fronteiras Sensíveis
A China é a "locomotiva" dos emergentes, mas sua expansão gera atritos em duas frentes:
Mar
do Sul da China
Pequim
constrói ilhas artificiais para consolidar sua hegemonia no Sudeste Asiático.
- Motivações:
- Energia: Estimativas
de 125 bilhões de barris de petróleo.
- Recursos: Área
riquíssima para a indústria pesqueira.
- Comércio: Rotas por onde circulam trilhões de dólares anualmente.
Separatismo
Interno
- Tibete: Resistência
fragilizada com o Dalai Lama no exílio e forte migração da etnia Han.
- Xinjiang (Uigures): Região de maioria muçulmana que busca formar o "Turquestão do Leste". Sua importância é estratégica por fazer fronteira com cinco países da Ásia Central: Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Afeganistão e Paquistão. Perder o controle de Xinjiang seria um golpe geopolítico insustentável para Pequim.
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7. O
Futuro dos Emergentes: Além do BRICS
O brilho do BRICS como grupo coeso diminuiu devido à desaceleração chinesa e crises em países como o Brasil. Novas siglas surgiram para mapear as promessas globais: MINTs (México, Indonésia, Nigéria, Turquia), CIVETS (Colômbia, Indonésia, Vietnã, Egito, Turquia, África do Sul) e o grupo NEXT+11.
Conclusão em “Luz de Insight”: O futuro das potências emergentes está na transição representada pelos “Ticks” (Taiwan, China, Índia e Coreia do Sul). O diferencial desse grupo é o pivô estratégico: eles estão deixando de ser economias dependentes de commodities para se tornarem líderes globais em inovação e alta tecnologia.
EXERCÍCIOS DE VESTIBULAR:
QUESTÃO
01 (IFBA)
Aonde
os emergentes querem chegar?
“(...) Dois eventos centrais para os países emergentes serão realizados em Brasília em abril: a Cúpula ÍndiaBrasil-África do Sul (Ibas) e a Cúpula Brasil-Rússia-Índia-China (Bric). (....) Esperamos que estes encontros tenham grande ressonância para o futuro da cooperação Sul-Sul, assim como o novo papel dos países emergentes na política global.”
ROY, Tathin. Aonde os emergentes querem chegar? Folha de São Paulo. São Paulo, 11 de abril de 2010. Opinião. P. A3.
Este novo papel que os
países emergentes citados no texto representam na política global se refere
(A) ao seu extensivo combate
à fome, pobreza e exploração do trabalho infantil, através de ações e programas
governamentais.
(B) à posição de membros
efetivos no Conselho de Segurança da ONU, inclusive liderando missões, como foi
o caso do Brasil no Haiti.
(C) à sua recente equiparação
em termos bélicos a países como Estados Unidos e Japão, o que os eleva ao
patamar de potências militares.
(D) ao aumento da sua
influência e poder na governança econômica global, devido aos bons índices de
crescimento de suas economias.
(E) ao protagonismo nas questões ambientais e de desenvolvimento sustentável, visto que diminuíram significativamente suas emissões de gases estufa.
QUESTÃO 02 (PUC-SP)
Em agosto de 2003, na V Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio – OMC realizada em Cancun, a diplomacia brasileira liderou a formação de um grupo que ficou conhecido como G-20, e que atualmente é chamado de G-20 comercial. O grupo é atualmente integrado por 21 membros (vide mapa). São países que congregam 60% da população mundial e reúnem 70% da população rural do planeta.
(A)
o desenvolvimento industrial dos países do grupo.
(B)
a preservação do meio ambiente e o fim da agricultura de alto rendimento.
(C) o
perdão da dívida externa dos países membros.
(D)
a política de subsídios agrícolas por parte dos países desenvolvidos.
(E)
o fim da atuação do G-7 (grupo dos países mais desenvolvidos).
QUESTÃO 03 (ENEM)
O G-20 (ou G-20 financeiro) é o grupo que reúne os países do G-7, os mais industrializados do mundo (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), a União Europeia e os principais emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia). Esse grupo de países vem ganhando força nos fóruns internacionais de decisão e consulta.
ALLAN, R. Crise global. Disponível em: (http://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br. Acesso em: 31 jul. 2010).
Entre
os países emergentes que formam o G-20, estão os chamados BRIC (Brasil, Rússia,
Índia e China), termo criado em 2001 para referir-se aos países que
(A)
apresentavam características econômicas promissoras para as próximas décadas.
(B)
possuem base tecnológica mais elevada.
(C) apresentam índices de igualdade social e econômica mais acentuados.
(D)
apresentam diversidade ambiental suficiente para impulsionar a economia global.
(E)
possuem similaridades culturais capazes de alavancar a economia mundial.
QUESTÃO 04 (ENEM)
Na
imagem, é ressaltado, em tom mais escuro, um grupo de países que na atualidade
possuem características político-econômicas comuns, no sentido de:
(A)
adotarem o liberalismo político na dinâmica dos seus setores públicos.
(B) constituírem modelos de ações decisórias vinculadas à social-democracia.
(C) instituírem fóruns de discussão sobre intercâmbio multilateral de economias emergentes.
(D)
promoverem a integração representativa dos diversos povos integrantes de seus
territórios.
(E)
apresentarem uma frente de desalinhamento político aos polos dominantes do
sistema-mundo.
QUESTÃO 05 (UERJ)
Os
líderes dos países que integram os Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul – encerraram seu terceiro encontro com um comunicado em que pedem
conjunta e explicitamente, pela primeira vez, mudanças no conselho de Segurança
das Nações Unidas. O texto defende reformas na ONU para aumentar a representatividade
na instituição, além de alterações no Fundo Monetário Internacional e no Banco
Mundial. Para os líderes dos Brics, a reforma da ONU é essencial, pois não é
mais possível manter as formas institucionais erguidas logo após a Segunda
Guerra Mundial.
(O Globo, 15/04/2011).
Uma
das principais mudanças no contexto internacional contemporâneo que se
relaciona com as reformas propostas pelos Brics está indicada em:
(A)
afirmação da multipolaridade
(B)
proliferação de armas atômicas
(C) hegemonia econômica dos E.U.A.
(D)
diversificação dos fluxos de capitais
QUESTÃO 06 (UNESP)
Os
países emergentes tendem a cada vez ter maior participação no PIB mundial. A
maioria desses países construiu seu desenvolvimento
(A)
baseando-se em políticas protecionistas, entre elas, a substituição das
importações.
(B)
transformando-se em polos independentes de P&D (Pesquisa e
Desenvolvimento).
(C) integrando-se ao processo de globalização e atraindo investimentos
estrangeiros.
(D)
intensificando as trocas comerciais e tecnológicas na direção Sul-Sul.
(E)
buscando a autossuficiência para depender menos dos mercados globais.
QUESTÃO 07 (ESPM)
Em
relação à crise político-territorial entre Ucrânia e Rússia, podemos afirmar
que
(A)
A Rússia é contrária a saída da Ucrânia da União Europeia.
(B)
A porção ocidental da Ucrânia é majoritariamente russa e desejosa de ingressar
na União Europeia.
(C) A
Rússia pretende instalar ogivas nucleares na Crimeia e a Ucrânia é contra.
(D)
A porção leste da Ucrânia é área de atuação de separatistas russos.
(E)
As grandes jazidas de petróleo da parte ocidental da Ucrânia, onde reside a
maioria da população russa, é o fator de tensão maior.
QUESTÃO 08 (ENEM)
Colegas,
na mente e no coração do povo, a Crimeia sempre foi uma porção inseparável da
Rússia. Essa firme convicção se baseia na verdade e na justiça e foi passada de
geração em geração, ao longo do tempo, sob quaisquer circunstâncias, apesar de
todas as drásticas mudanças que nosso país atravessou durante todo o século XX.
Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 28 jul. 2014.
Considerando
a dinâmica geopolítica subjacente ao texto, a justificativa utilizada por
Vladimir Putin, em 2014, para anexação dessa península apela para o argumento
de que
(A)
as populações com idioma comum devem estar submetidas à mesma autoridade
estatal.
(B)
o imperialismo soviético havia se acomodado às pretensões das potências
vizinhas.
(C) os
organismos transnacionais são incapazes de solucionar disputas territoriais.
(D)
a integração regional supõe a livre circulação de pessoas e mercadorias.
(E)
expulsão das forças navais ocidentais garantiria a soberania nacional.
QUESTÃO 09 (UESB)
O
conflito da Caxemira completou 75 anos em 2022 e representa um dos conflitos
mais importantes de disputa territorial e diferenças étnicas, com um saldo
estimado de 45 mil mortes entre os anos 1980 e 2022. Envolvendo Índia,
Paquistão e China, esse conflito é relacionado
(A) ao
domínio da Rota da Caxemira, maior rota de comércio têxtil do mundo, o que
beneficiaria o país que tiver maior domínio do território.
(B) ao
fato de a Caxemira ser a única zona navegável no rio Nilo, que banha a região
fronteiriça.
(C) às
disputas ideológicas e à anexação do Paquistão à China em 1977, com intervenção
indiana para que a China concordasse com a independência do Paquistão.
(D) à
disputa territorial da zona da Caxemira, localizada ao extremo noroeste do
subcontinente indiano, entre a Índia e o Paquistão e entre a Índia e a China,
desde que a área foi dividida entre os três países após a Segunda Guerra
Mundial.
(E) às
disputas religiosas que definem historicamente o território como pertencente ao
povo palestino.
QUESTÃO 10 (ENEM)
TEXTO
I – Com uma população de 25 milhões de habitantes (cerca de 60% de minorias
muçulmanas, principalmente da etnia Uigur), Xinjiang é uma região estratégica
para a China. Faz fronteira com oito países, é uma artéria crucial do
megaprojeto de infraestrutura chinês Cinturão e Rota e tem as maiores reservas
nacionais de carvão e gás natural.
(NINIO, M. Disponível em: https: oglobo.globo.com. Acesso em: 5 out. 2021 adaptado)
TEXTO II - Dentre as províncias da Região Oeste, Xinjiang se destaca ao receber mais de 1,7 milhão de migrantes entre 2000 e 2010. O principal motivo desse fluxo migratório é que o governo fornece subsídios à população visando aumentar a proporção de chineses da etnia Han em relação à população local de etnias turca e muçulmana.
ALVES. F.: TOYOSHIMA. S. Disparidade socioeconômica e fluxo migratório chinês: interpretação de eventos contemporâneos segundo os clássicos do desenvolvimento. Revista de Economia Contemporânea. n 1. jan. abr. 2017 (adaptado)
A
política demográfica para a província mencionada nos textos é parte da seguinte
ação estratégica do governo chinês:
(A) Promover
a ocupação rural.
(B) Favorecer
a liberdade religiosa.
(C) Descentralizar
a gestão pública.
(D) Incentivar
a pluralidade cultural.
(E) Assegurar
a integridade territorial.
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