sábado, 14 de março de 2026

ORDEM GEOPOLÍTICA MUNDIAL

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LINK: https://youtu.be/R1yBKx2-Gdg

A ordem geopolítica contemporânea é um sistema em constante transformação, caracterizado por uma complexa dualidade: unipolaridade no campo bélico-militar e multipolaridade no campo econômico. Após o fim da Guerra Fria em 1991, os Estados Unidos consolidaram-se como a potência hegemônica global, embora enfrentem atualmente uma decadência relativa frente à ascensão de novos atores, especialmente a China. Esta última utiliza a "diplomacia econômica" e projetos de infraestrutura em larga escala, como a Iniciativa do Cinturão e Rota, para expandir sua influência global (soft power). Paralelamente, a governança internacional via ONU enfrenta o desafio de arbitrar conflitos em um mundo onde os interesses dos Estados-nação ainda prevalecem sobre as organizações multilaterais. Novos cenários de disputa emergem nas regiões polares, com o Ártico tornando-se uma fronteira estratégica devido ao aquecimento global, enquanto a Antártida permanece sob um regime de gestão compartilhada para fins científicos.

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1. Fundamentos da Geopolítica Contemporânea

A análise das relações internacionais exige a distinção entre a Geografia Política — o estudo geográfico das relações entre espaço e poder — e a Geopolítica, que foca nas ações dos Estados para administrar territórios e projetar poder externo.

A Transição das Ordens Mundiais

  • Velha Ordem (1945–1991): Marcada pela bipolaridade entre EUA (capitalismo) e URSS (socialismo), a "Cortina de Ferro" e o conflito Leste-Oeste.
  • Nova Ordem (Pós-1991): Iniciada com a fragmentação da URSS e a queda do Muro de Berlim (1989). Caracteriza-se pela hegemonia do sistema capitalista global, com exceções limitadas como Cuba e Coreia do Norte.

Dimensão de Poder

Configuração Atual

Principais Atores

Militar e Político

Unipolar

Estados Unidos

Econômico

Multipolar

EUA, China, União Europeia, Japão, Países Emergentes (BRICS)

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2. Hegemonia e Desafios das Grandes Potências

Os Estados Unidos e o Poder Multidimensional

A supremacia estadunidense foi estabelecida no pós-Segunda Guerra Mundial, fundamentada na Conferência de Bretton Woods (1944), que definiu o dólar como padrão monetário.

  • Declínio Relativo: O PIB dos EUA, que já representou 25% do total global, hoje corresponde a cerca de 20%. Déficits comerciais persistentes são compensados por investimentos estrangeiros no mercado financeiro.
  • Poder Bélico: Os EUA mantêm a posição isolada de maior potência militar, embora Rússia e China invistam massivamente para desafiar essa unipolaridade.

A Geopolítica Econômica Chinesa

A China projeta influência através do soft power, buscando tornar outros países dependentes de seu capital.

  • Diplomacia Econômica: Foco na América Latina e África para aquisição de matérias-primas e recursos energéticos em troca de obras de infraestrutura.
  • Nova Rota da Seda (Iniciativa do Cinturão e Rota): Projeto ambicioso de conexão eurasiana e africana via terrestre e marítima, envolvendo estradas, ferrovias e cabos de fibra ótica.

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3. Internacionalização do Capital e Tecnologia

O capitalismo contemporâneo busca a internacionalização para maximizar lucros e acumular riqueza.

  • Estratégia Transnacional: Empresas de países desenvolvidos instalam filiais em países subdesenvolvidos para aproveitar mão de obra barata, incentivos fiscais e menores encargos sociais.
  • Nova Divisão Internacional do Trabalho: Países como o Brasil tornaram-se exportadores de produtos industrializados, mas mantêm forte dependência da exportação de commodities de baixo valor agregado (soja, ferro, café).
  • Meio Técnico-Científico-Informacional: A automação e a robotização, aceleradas pela tecnologia de guerra, criaram um espaço artificializado onde a rapidez nos transportes e comunicações dinamiza o capital global.

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4. Governança Mundial e Organizações Multilaterais

A Organização das Nações Unidas (ONU)

Fundada em 1945 por 51 países (hoje com 193 membros), a ONU atua como o principal fórum de debates para preservar a paz e a cooperação internacional.

Estrutura e Órgãos Especializados:

  • Conselho de Segurança (CSNU): Único órgão com poder decisório e efeito obrigatório. Composto por 15 membros (5 permanentes com poder de veto: EUA, Rússia, Reino Unido, França e China).
  • Instituições de Intervenção Social: FAO (combate à fome), UNESCO (educação e cultura), UNICEF (proteção à infância), OMS (saúde pública) e o Tribunal Internacional de Justiça (Haia).

Fragilidades Institucionais

A ONU enfrenta dificuldades para intervir quando os interesses envolvem membros permanentes do Conselho de Segurança. Críticas recentes apontam falhas na neutralidade da organização em conflitos na Europa Oriental e na gestão de crises humanitárias, como no terremoto do Haiti (2010), onde a atuação das tropas estadunidenses sobrepôs-se à coordenação multilateral.

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5. Novas Fronteiras de Disputa: Ártico e Antártida

As regiões polares tornaram-se pontos focais da geopolítica moderna por razões distintas:

O Ártico: Disputa por Recursos e Rotas

O aquecimento global está transformando o Oceano Ártico em uma zona de exploração econômica viável.

  • Vantagem Logística: A rota ártica reduz em cerca de 15 mil quilômetros (uma semana de navegação) a distância entre a Ásia e a Europa em comparação ao Canal do Panamá.
  • Riquezas Naturais: Estima-se que 25% das reservas não descobertas de petróleo estejam na região.
  • Domínio Russo: A Rússia possui a maior frota de quebra-gelos do mundo (quase 40 navios) e tem reativado bases militares da era da Guerra Fria, declarando o Ártico como sua reserva estratégica para o século XXI.

A Antártida: Gestão Multilateral Científica

Diferente do Ártico, a Antártida é regida pelo Tratado Antártico (1959).

  • Uso Pacífico: O território é compartilhado pela comunidade internacional exclusivamente para fins de pesquisa científica, sendo proibidos exercícios militares ou testes nucleares.
  • Vigência: O tratado foi estendido até 2041, suspendendo as reivindicações territoriais de países como Argentina, Chile e Reino Unido.

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6. O Papel das Organizações Não Governamentais (ONGs)

As ONGs atuam no chamado "terceiro setor", preenchendo lacunas deixadas pelos Estados ou denunciando abusos de poder.

  • Independência Política: Instituições como a Anistia Internacional (1961) e o Médicos Sem Fronteiras (1971) ganharam legitimidade ao atuar em cenários onde as políticas estatais falham (genocídios, perseguições e catástrofes).
  • Agenda Ambiental: Organizações como WWF (1961) e Greenpeace (1971) exercem pressão sobre os governos para a preservação da biodiversidade e contra o consumo excessivo.
  • Contexto Brasileiro: Destaca-se a SOS Mata Atlântica (1986) na luta pela preservação dos remanescentes florestais nacionais.

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Resumo Analítico

A ordem mundial do século XXI é marcada por grandes incertezas. Embora a globalização tenha aumentado a interdependência econômica — tornando guerras de grandes proporções indesejáveis devido aos impactos sistêmicos (como visto na inflação e crise energética derivadas do conflito entre Rússia e Ucrânia) — novas tensões emergem. A configuração do Conselho de Segurança da ONU é alvo de críticas por não refletir a atual realidade multipolar, com países como Brasil, Índia, Japão e Alemanha pleiteando maior influência decisória. O cenário futuro dependerá do equilíbrio entre a hegemonia resiliente dos EUA e a expansão estratégica de novos polos de poder econômico e militar.

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EXERCÍCIOS DE VESTIBULAR:

1. (ENEM) Do ponto de vista geopolítico, a Guerra Fria dividiu a Europa em dois blocos. Essa divisão propiciou a formação de alianças antagônicas de caráter militar, como a OTAN, que aglutinava os países do bloco ocidental, e o Pacto de Varsóvia, que concentrava os do bloco oriental. É importante destacar que, na formação da OTAN, estão presentes, além dos países do oeste europeu, os EUA e o Canadá. Essa divisão histórica atingiu igualmente os âmbitos político e econômico que se refletia pela opção entre os modelos capitalista e socialista.

Essa divisão europeia ficou conhecida como (

(A) Cortina de Ferro.

(B) Muro de Berlim.

(C) União Europeia.

(D) Convenção de Ramsar.

(E) Conferência de Estocolmo.

 

2. (UEPG) Após a Segunda Guerra Mundial, o cenário geopolítico internacional foi marcado pela bipolaridade. Sobre o assunto, assinale o que for correto.

(A) No pós-guerra, os americanos e os soviéticos tinham projetos convergentes para a Alemanha e para toda a Europa e, portanto, trabalharam juntos para a concretização desses projetos.

(B) Após a Primeira Guerra, devido à importância na derrota do exército nazista no front oriental e alegando a necessidade de manter a segurança de suas fronteiras os soviéticos transformaram todo o Leste europeu em uma grande área ocupada.

(C) Para conter a influência soviética no mundo no pós-Segunda Guerra os Estados Unidos, através do Plano Marshall, financiaram a reconstrução e o fortalecimento da Europa, e com o Plano Colombo, países do Leste e Sudeste asiáticos.

(D) Com o fim da Guerra Fria, e para equilíbrio do poder entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética, foram criadas duas grandes organizações militares: a OTAN, sob o comando dos americanos, e o Pacto de Varsóvia, sob comando dos soviéticos.

 

3. (UFSC) Organizações internacionais são entidades criadas pelas nações do mundo com o objetivo de trabalhar em comum para o pleno desenvolvimento das diferentes áreas da atividade humana: política, economia, saúde, segurança, trabalho etc.

Em relação às proposições abaixo, é CORRETO afirmar que:

(A) a Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada pelos países vencedores da Primeira Guerra Mundial – apesar da oposição da União Soviética – e tem como principal objetivo manter a paz e a segurança internacionais.

(B) a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi constituída em 1949, no contexto da Guerra Fria, como uma aliança militar das potências ocidentais em oposição aos países do bloco socialista, mas atualmente tem, entre seus associados, países do antigo bloco socialista.

(C) uma das organizações mais bem-sucedidas é o Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo principal objetivo é criar as condições para investimentos em infraestrutura e educação, sem ligação com questões financeiras dos países.

(D) a Organização Mundial do Comércio (OMC) tem como principal objetivo criar as condições necessárias para os acordos sobre livre movimentação de pessoas, principalmente entre as populações do antigo “terceiro mundo”. (E) a Organização Internacional do Trabalho (OIT), diferentemente de outras instituições internacionais, existiu apenas durante a vigência do bloco liderado pela extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

 

4. (UERJ)

A escolha de países que sediam a copa de futebol baseia-se em fatores variáveis. A partir de 2002, observa-se, na tabela, a diversificação geográfica dos países-sede.

Duas motivações para a escolha desses países, a partir de 2002, estão explicitadas em:

(A) valorização dos campeonatos desportivos − apoio à democratização política

(B) inclusão de áreas periféricas − ampliação do número de seleções participantes

(C) mundialização do esporte coletivo − multipolaridade das relações internacionais

(D) quebra da hegemonia europeia − expansão econômica de áreas subdesenvolvidas

 

5. (ENEM) O fim da Guerra Fria e da bipolaridade, entre as décadas de 1980 e 1990, gerou expectativas de que seria instaurada uma ordem internacional marcada pela redução de conflitos e pela multipolaridade.

O panorama estratégico do mundo pós-Guerra Fria apresenta

(A) o aumento de conflitos internos associados ao nacionalismo, às disputas étnicas, ao extremismo religioso e ao fortalecimento de ameaças como o terrorismo, o tráfico de drogas e o crime organizado.

(B) o fim da corrida armamentista e a redução dos gastos militares das grandes potências, o que se traduziu em maior estabilidade nos continentes europeu e asiático, que tinham sido palco da Guerra Fria.

(C) o desengajamento das grandes potências, pois as intervenções militares em regiões assoladas por conflitos passaram a ser realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), com maior envolvimento de países emergentes.

(D) a plena vigência do Tratado de Não Proliferação, que afastou a possibilidade de um conflito nuclear como ameaça global, devido à crescente consciência política internacional acerca desse perigo.

(E) a condição dos EUA como única superpotência, mas que se submetem às decisões da ONU no que concerne às ações militares.


6. (UNESP) Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o governo dos Estados Unidos da América aprovou uma série de medidas com o objetivo de proteger os cidadãos americanos da ameaça representada pelo terrorismo internacional.

Entre as medidas adotadas pelo governo norte-americano estão

(A) a realização de acordos de cooperação militar e tecnológica com países aliados no combate ao terrorismo internacional; e a prisão imediata de árabes e muçulmanos que residissem nos Estados Unidos.

(B) a realização de ataques preventivos a países suspeitos de sediarem grupos terroristas; e a restrição da liberdade e dos direitos civis de suspeitos de associação com o terrorismo.

(C) a concessão de apoio logístico e financeiro a países que, autonomamente, pudessem combater grupos terroristas em seus territórios; e a preservação dos direitos civis de suspeitos de associação com o terrorismo, que residissem dentro ou fora dos Estados Unidos.

(D) a realização de ataques preventivos a países suspeitos de sediarem grupos terroristas; e a flexibilização do ingresso nos Estados Unidos de pessoas oriundas de qualquer região do mundo.

(E) a realização de acordos de cooperação militar e tecnológica com países suspeitos de sediarem grupos terroristas; e a preservação dos princípios de liberdade individual e autonomia dos povos.

 

7. (ENEM)  A primeira Guerra do Golfo, genuinamente apoiada pelas Nações Unidas e pela comunidade internacional, assim como a reação imediata ao Onze de Setembro, demonstravam a força da posição dos Estados Unidos na era pós-soviética.

HOBSBAWM, E. Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2007.

Um aspecto que explica a força dos Estados Unidos apontada pelo texto, reside no(a)

(A) poder de suas bases militares espalhadas ao redor do mundo.

(B) alinhamento geopolítico da Rússia em relação aos EUA.

(C) política de expansionismo territorial exercida sobre Cuba.

(D) aliança estratégica com países produtores de petróleo como Kuwait e Irã.

(E) incorporação da China à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

8. (ENEM) No caso do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a ênfase está posta no traçado de uma estratégia geral de desarticulação, não só dos inimigos reais como dos potenciais, inserida na concepção preventiva que supõe que a mínima dissidência é um sinal de perigo e de guerra futura. Deve-se ter capacidade para responder a uma guerra convencional tanto quanto para enfrentar um inimigo difuso, atentando simultaneamente para todas as áreas geográficas do planeta. Trata-se, sem dúvida, da estratégia com pretensões mais abrangentes que se desenvolveu até agora.

CECEÑA, A. E. Hegemonias e emancipações no século XXI. Buenos Aires: Clacso, 2005 (adaptado).

Tomando o texto como parâmetro, qual tendência contemporânea impulsiona a formulação de estratégias mais abrangentes por parte do Estado americano?

(A) Erradicação dos conflitos em territórios.

(B) Propagação de organizações em redes.

(C) Eliminação das diferenças regionais.

(D) Ampliação de modelo democrático.

(E) Projeção da diplomacia mundial.

 

9. (USS)  “Em um ano marcado por tempestades de neve na Europa e ondas de frio na América do norte, outro fenômeno climático fez história no Ártico. Em janeiro, o cargueiro russo Eduard Toll concluiu pela primeira vez uma viagem comercial na região, em pleno inverno, sem usar um quebra-gelo. A travessia foi possível devido ao avanço tecnológico e às mudanças climáticas. ‘A dificuldade para navegar no Ártico é a capa de gelo. Com mudanças tão rápidas como as de agora, o sonho das grandes navegações, uma rota entre Europa e Ásia, torna-se real’, explica Jefferson Simões, professor de Geografia Polar. ‘Com as mudanças climáticas, o cálculo geopolítico muda. No futuro, o problema pode ser a posse desses territórios. Sendo que o grande risco para o Ártico é que o interesse por ele deve crescer em um ano bastante estressante’, acrescenta Maurício Santoro, professor de Relações Internacionais.”

(MELLER, L. Caminho livre no Ártico. O Globo, Sociedade, 17 mar. 2018, p. 26.)

No Ártico, considerando-se essas perspectivas, sobressai diretamente o interesse geoestratégico do seguinte país:

(A) China, devido à planejada exploração da biomassa da Taiga siberiana.

(B) Alemanha, devido à integração de infraestruturas terrestres com a Ásia.

(C) Japão, devido à configuração de uma Nova Rota da Seda rumo à Europa.

(D) Rússia, devido às reservas de petróleo e gás e as bases militares instaladas.

(E) Estados Unidos, devido à maior frota de navios quebra-gelo sob seu controle.

 

10. (ENEM)  Em 1991 foi criado no Tratado da Antártica o Protocolo de Madri, e a partir desse protocolo deixou-se de discutir como dividir a Antártica e passou-se a estudar maneiras de preservá-la, tornando-a uma reserva natural dedicada à paz e à ciência.

MACHADO, C. S.; BRITO, T. Coleção explorando o ensino: Antártica. Brasília: MEC, 2006 (adaptado).

Sobre a apropriação dos recursos existentes na área indicada, esse documento tem sido fundamental para instituir

(A) ações planejadas para caça de animais.

(B) impedimentos legais de exploração mineral.

(C) espaços exclusivos para atividades de extração.

(D) programas internacionais de créditos compensatórios.

(E) restrições políticas para a adesão de países periféricos.


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