sexta-feira, 2 de novembro de 2007

SOBRE O ENSINO DE GEOGRAFIA FÍSICA

Adaptado do original publicado em Geografias Suburbanas no dia 20/12/2006, às 12:26 AM.

...................................................

Trabalhando desde 2003 com o ensino da Geografia, percebi que os alunos, de acordo com a sua faixa etária, apresentam interesse e disposição diferentes para lidar com a Geografia Física. Ao abordar este tema nas turmas de ensino fundamental, fica claro que é com entusiasmo que os alunos recebem as informações que sistematizamos para passarmos a eles. Tudo parece novo, mágico, instigante e somos bombardeados com dezenas de perguntas e curiosidades que os nossos alunos anseiam por esclarecer.

No entanto, o mesmo recorte temático encontra receptividade bem diferente se o grupo a trabalhar pertence a turmas do ensino médio. Nas turmas de pré-vestibular, trabalho este assunto nas primeiras semanas do ano, quando o ânimo e a disposição deles é grande. Se estas fossem as últimas aulas do calendário, quando o cansaço daqueles que se dedicaram é nítido, provavelmente, as turmas seriam formadas apenas por alguns desavisados que foram pra aula sem notar previamente qual era o tema da semana. Surge, então, o questionamento: o que será que provoca esta transformação radical na visão dos alunos sobre a geografia física?

Analisando a questão em busca de uma resposta entendo que este eixo temático, em comparação com os outros eixos abarcados pela ciência geográfica, parece ser aquele que possui a maior quantidade de explicações mecânicas, onde a dinâmica da natureza e seus princípios físico-químicos exercem predomínio. Processos como abalos sísmicos, subducção e o mecanismo de aquecimento da atmosfera exigem ao professor uma grande aproximação com a linguagem das ciências da natureza.

Creio que os pequenos pré-adolescentes do ensino fundamental, portadores de visão ainda bastante maniqueísta, buscam ansiosamente pela verdade absoluta, pelo que é certo e pelo que é definitivamente errado. Entendem que a ciência é a única capaz de fornecer-lhes esta verdade. Quando, então, nos apropriamos da linguagem científica para explicar os fenômenos fisiográficos, o professor transforma-se numa poderosa referência e eles desandam a perguntar tudo o que lhes vêm à mente. Geralmente a pergunta começa com um "é verdade que...", e assim vai.

Já os jovens do ensino médio parecem muito mais interessados em tramas e fatos do jogo político internacional. Guerras, informações especiais sobre guerra fria e espionagem industrial soam como música para seus ouvidos. Já a mecânica da geografia física soa como um ruído irritante. Acredito, neste caso, que a busca pelo amadurecimento intelectual, a possibilidade de ter recursos para discutir questões polêmicas, construir uma visão mais ampla do mundo e uma opinião política, podem ser agentes determinantes nesta transformação.

No ano de 2006, o uso de ferramentas tecnológicas no ensino de geografia física abriu uma outra perspectiva em minha experiência profissional. Percebi que com a tecnologia é possível provocar nos estudantes um novo encantamento com a dinâmica da natureza. A própria geografia física evoluiu muito a partir dessas novas tecnologias e acredito que esta pode ser uma solução para enfrentar a aversão claramente manifestada pelos alunos.

No mais, gosto é algo que não se discute. E você, leitor? Gosta de Geografia Física ou não?

Um abraço solidário!

2 comentários:

Alexandre Ferreira disse...

Párabéns pelo blog e consequentemente pelas felizes afirmações, continue assim.

Diego Moreira disse...

Obrigado!
Um abraço e seja bem-vindo!