segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

POLÍTICA ECONÔMICA E GLOBALIZAÇÃO

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1. A Gênese do Pensamento Econômico: Do Liberalismo ao Monopólio

O Liberalismo Clássico consolidou-se no século XVIII, impulsionado pela Revolução Industrial e pela Escola de Manchester. Embora Adam Smith seja o pilar com "A Riqueza das Nações" (1776), a doutrina foi expandida por David Ricardo (teoria das vantagens comparativas), Thomas Malthus (limites do crescimento populacional) e Jean Baptiste Say (Lei de Say). Eles refutavam o protecionismo mercantilista, defendendo que o Estado deveria abster-se de regular a economia.

  • A Mão Invisível: Metáfora de Smith para a autorregulação do mercado. Através da livre concorrência, o interesse individual (lucro) resultaria no bem comum (melhores produtos e preços baixos), ajustando naturalmente a oferta e a procura.
  • Conceitos Fundamentais:
    • Homo Economicus: O sujeito que age racionalmente visando o benefício próprio, motor da eficiência sistêmica.
    • Utilidade Marginal: Valor atribuído à última unidade consumida de um bem; quanto mais abundante o bem, menor sua utilidade marginal.
    • Paradoxo do Valor: A água, essencial à vida (alto valor de uso), possui baixo valor de troca por sua abundância. O diamante, supérfluo (baixo valor de uso), possui alto valor de troca devido à sua raridade.

A evolução do sistema capitalista, contudo, buscou contornar a livre concorrência para acelerar a acumulação através de associações de capitais:

Forma de Associação

Objetivo e Funcionamento

Cartel

Acordo (formal ou informal) entre empresas do mesmo setor para fixar preços e dividir mercados, eliminando a concorrência.

Truste

Fusão de empresas (vertical ou horizontal) que perdem autonomia para formar uma grande companhia que domina o setor.

Holding

Empresa que controla um conglomerado através da posse majoritária de ações de diversas subsidiárias.

Dumping

Venda de produtos abaixo do preço de custo para eliminar concorrentes e conquistar monopólio, comum no comércio exterior.

Transição: A fé na autorregulação absoluta colapsou em 1929. A incapacidade do mercado em corrigir disparidades entre produção e consumo revelou que a "mão invisível" poderia levar o sistema ao abismo.

 

2. A Queda do Estado Liberal e a Era Keynesiana

A Crise de 1929 foi uma Crise de Superprodução. O modelo Fordista revolucionou a produtividade com a linha de montagem e padronização, mas a manutenção de salários baixos impediu que a massa trabalhadora consumisse o que produzia. O estoque lotado sem mercado consumidor gerou a quebra da bolsa e a Grande Depressão.

A solução veio de John Maynard Keynes, cujas ideias fundamentaram o New Deal de Roosevelt:

  • Intervencionismo Estatal: O Estado atua como motor econômico em momentos de recessão, investindo em grandes obras públicas para gerar emprego e renda.
  • Estado de Bem-Estar Social (Welfare State): Vigente nos "Anos Dourados" (1950-60), focou no pleno emprego, aumento real de salários e segurança social.
  • O Caso Detroit: Detroit tornou-se o símbolo do auge fordista, chegando a 2 milhões de habitantes. Contudo, sua rigidez produtiva e dependência de um único setor selaram seu destino futuro.

Transição: Na década de 1970, a rigidez do Fordismo, a pressão sindical e os choques do petróleo geraram estagflação. A crise do Estado Keynesiano abriu espaço para o desmonte do modelo protetivo e o nascimento da flexibilização.

 

3. A Ascensão do Neoliberalismo e o Estado Mínimo

O Neoliberalismo, defendido por Milton Friedman e Friedrich Hayek, propõe o Estado Mínimo — uma reestruturação onde o Estado abandona o papel de provedor social para se tornar um garantidor da fluidez do mercado global.

O Receituário Neoliberal (Medidas Centrais):

  1. Privatizações: Venda de estatais para reduzir o tamanho do aparelho público.
  2. Austeridade Fiscal: Equilíbrio rígido das contas (cortes em saúde e educação) para garantir o pagamento de juros.
  3. Abertura Comercial: Eliminação de barreiras para a entrada de mercadorias estrangeiras.
  4. Fim do Protecionismo: Retirada de subsídios a produtores nacionais.
  5. Juros e Câmbio Flutuantes: Autonomia do Banco Central e livre circulação de capitais especulativos.
  6. Proteção de Patentes: Garantia jurídica para que transnacionais controlem tecnologias e medicamentos, cobrando preços monopolistas.

A aplicação dessas medidas em países da União Europeia (os PIIGS: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) via Troika resultou em severa precarização social. A austeridade imposta alimentou sentimentos de exclusão, servindo de base para o crescimento da xenofobia e de movimentos de extrema direita.

Transição: A desregulamentação neoliberal foi o combustível necessário para que as tecnologias da Terceira Revolução Industrial integrassem o planeta em uma rede de fluxos instantâneos.

 

4. A Engrenagem da Globalização: Redes, Fluxos e Agentes

A globalização opera no Meio Técnico-Científico-Informacional. Segundo Eric Hobsbawm, o processo depende mais da eliminação de obstáculos técnicos (infraestrutura) do que meramente econômicos.

  • Infraestrutura e Tecnologia: O avanço nos transportes e nas comunicações (fibra ótica, satélites) permitiu a sociedade em rede descrita por Manuel Castells.
  • Empresas Transnacionais: São os agentes hegemônicos. Em 2011, o faturamento de muitas já superava o PIB de diversas nações. Elas formam clusters de poder, como a megafusão Bayer-Monsanto, que junto a poucas outras controla 60% do mercado global de sementes e saca o lucro através de patentes.
  • Organização em Rede: O "carro global" ilustra a fragmentação: financiado no Japão, projetado na Itália, montado no México e com componentes eletrônicos da Coreia. A marca oculta uma teia transnacional sem pátria definida.

Transição: Essa fluidez, contudo, é seletiva. Enquanto o capital viaja na velocidade da luz, o corpo humano encontra barreiras instransponíveis.

 

5. O Grande Paradoxo: Fluxos Fluídos vs. Fronteiras Rígidas

Milton Santos alertava para a "globalização como fábula" vs. "globalização como perversidade". O paradoxo central, destacado por Zygmunt Bauman e Rogério Haesbaert, é a coexistência da derrubada de barreiras comerciais com a ereção de muros contra pessoas.

  • Seletividade dos Fluxos: Como na canção "Disneylândia", mercadorias e capitais cruzam fronteiras que são fechadas para refugiados e imigrantes pobres. O dinheiro tem livre trânsito; o trabalhador pobre é barrado por mecanismos segregadores.
  • Hibridismo vs. Homogeneização:
    • McDonaldismo: A tentativa de homogeneização cultural através de padrões de consumo globais.
    • Resistência e Adaptação: As identidades nacionais reagem através do hibridismo (como o Funk brasileiro, derivado do Miami Bass) ou da adaptação local de marcas globais (McRice na Ásia, McLobster no Canadá, McLaks na Noruega).
  • Nacionalismo Ético-Nacionalista: A reação à globalização muitas vezes descamba para conflitos de identidade e discursos de exclusão ("America First").

Transição: Essa integração cultural superficial mascara uma divisão produtiva cada vez mais profunda e desigual.

 

6. Desterritorialização e a Nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT)

A DIT (Divisão Internacional do Trabalho) contemporânea é marcada pela dispersão espacial da produção e pela concentração extrema de lucros e tecnologia nos centros hegemônicos.

  • Assimetria Comercial: O Brasil ilustra a dependência de países de industrialização tardia. Nossa relação com a China é profundamente assimétrica: 75% a 80% das exportações brasileiras são commodities (soja, ferro, petróleo), enquanto 95% das importações chinesas são produtos industrializados de alto valor agregado.
  • O Paradoxo do Consumo: A charge do "País 1 vs País 2" revela a lógica da desterritorialização. No País 1 (EUA/Reino Unido), o calçado é caro e falta emprego industrial; no País 2 (Indonésia/Grécia), há muitos empregos precários, mas o trabalhador que costura o sapato de luxo está descalço, pois não pode consumir o que produz.
  • A Crise de Detroit: O colapso da cidade (que perdeu mais de 1 milhão de habitantes) é o retrato da acumulação flexível: indústrias migraram para países com mão de obra barata e legislação ambiental frouxa.
  • Externalidades e Lixo Eletrônico: O mundo industrializado exporta seus resíduos para nações pobres. Em Gana, jovens se intoxicam queimando lixo eletrônico importado para extrair cobre, terceirizando o impacto ambiental do consumo global.
  • Síntese de Risco: Países dependentes de produtos primários (América Latina) enfrentam a instabilidade de preços das commodities. A superação dessa assimetria exige, necessariamente, o fortalecimento da pesquisa científica nacional para romper a dependência tecnológica.

 

EXERCÍCIOS DE VESTIBULAR:

1. (FATEC) Adam Smith, teórico do liberalismo econômico, cuja obra, "Riqueza das Nações", constitui o baluarte, a cartilha do capitalismo liberal, considerava

(A)   a política protecionista e manufatureira como elemento básico para desenvolver a riqueza da nação.   

(B)   necessária a abolição das aduanas internas, das regulamentações e das corporações então existentes nos países.   

(C)   a propriedade privada como a raiz das infelicidades humanas, daí toda a economia ter de ser controlada pelo Estado.   

(D)  a terra como fonte de toda a riqueza, enquanto a indústria e o comércio apenas transformavam ou faziam circular a riqueza natural.   

(E)   o trabalho como fonte de toda a riqueza, dizendo que, com a concorrência, a divisão do trabalho e o livre comércio, a harmonia e a justiça social seriam alcançadas.   


2. (FUVEST) “Em uma onda sem precedentes de medo, confusão e pânico, hoje quase 13 milhões de ações mudaram de mãos na Bolsa de Valores de Nova York. Corretores atordoados atravessaram um mar de papel segurando ordens de investidores assustados para ‘vender a qualquer preço’.”

“Wall Street cai”. The Guardian (Londres), 24/10/1929, p.1.

“O mercado esteve ontem numa situação de verdadeiro pânico. Em São Paulo pedem-se a moratória e a emissão de papel-moeda. O presidente da República receberá hoje uma comissão do comércio de Santos.”

“A crise do café”. Correio da Manhã (Rio de Janeiro), 29/10/1929, p.1.

Os excertos, extraídos de matérias jornalísticas publicadas à época, relatam reações ante a Crise de 1929. Essa crise

(A)   atingiu as atividades agrícolas, incentivou a mecanização do processo produtivo e a absorção dos trabalhadores pelo setor industrial.   

(B)   afetou as bases do liberalismo econômico, obrigando a intervenção do Estado por meio de regulações e investimentos.   

(C)   impulsionou a indústria do entretenimento, responsável por forjar comportamentos que se opunham ao pessimismo.   

(D)  favoreceu a substituição do dólar pela libra esterlina enquanto moeda empregada no comércio internacional.   

(E)   contribuiu para o desenvolvimento industrial com a substituição de importações e a ampliação do crédito para investimentos.   

 

3. (FMJ) O que precisamos, agora, não é apertar fortemente os coletes, mas adotar um humor de expansão, de atividades – fazer coisas, comprar coisas, produzir. [...] O mesmo é verdadeiro, e até mais, em relação ao trabalho da autoridade local. Este é o tempo de as municipalidades serem empenhadas e ativas em todos os tipos de melhoramentos importantes. [...] podemos, de qualquer forma, fazer algo por nós mesmos, e que esse algo deve assumir a forma de atividade, de realizações, de gastos, de lançamento de grandes empreendimentos.

KEYNES, John M. Ensaios econômicos, 1976.

O excerto foi tirado de uma palestra radiofônica feita pelo economista britânico John Maynard Keynes, em janeiro de 1931.

Sua posição sobre a economia era

(A)   estatista e propunha o controle governamental dos investimentos bancários na produção de mercadorias.   

(B)   crítica à globalização dos capitais e sugeria a formação de um mercado comum entre as economias europeias.   

(C)   anticapitalista e defendia a divisão dos lucros das corporações industriais com os operários.   

(D)  contrária ao liberalismo econômico e visava encaminhar soluções para a crise econômica.   

(E)   monetarista e considerava a inflação dos preços das mercadorias como a causa principal da depreciação dos salários.   

 

4. (ENEM) O New Deal visa restabelecer o equilíbrio entre o custo de produção e o preço, entre a cidade e o campo, entre os preços agrícolas e os preços industriais, reativar o mercado interno – o único que é importante –, pelo controle de preços e da produção, pela revalorização dos salários e do poder aquisitivo das massas, isto é, dos lavradores e operários, e pela regulamentação das condições de emprego.

CROUZET, M. ‘Os Estados perante a crise’. In: História geral das civilizações. São Paulo: Difel, 1966. (adaptado). 

Tendo como referência os condicionantes históricos do entre guerras, as medidas governamentais descritas objetivavam 

(A)   flexibilizar as regras do mercado financeiro.

(B)   fortalecer o sistema de tributação regressiva.

(C)   introduzir os dispositivos de contenção creditícia.

(D)  racionalizar os custos da automação industrial mediante negociação sindical.

(E)   recompor os mecanismos de acumulação econômica por meio da intervenção estatal.

 

5. (UNESP) O processo de mundialização do sistema capitalista sempre esteve apoiado na difusão de políticas econômicas e na constituição de determinadas lógicas geopolíticas e geoeconômicas de organização do espaço mundial.

Constituem-se em política econômica e em lógica capitalista de ordenamento do espaço mundial no período atual:

(A) o keynesianismo e o colonialismo.

(B) o desenvolvimentismo e o neocolonialismo.

(C) o neoliberalismo e a globalização.

(D) o mercantilismo e a descolonização.

(E) o liberalismo e o imperialismo.

 

6. (UNESP) O advento de chefes de Estado-empresa marca uma transição sistêmica entre o  enfraquecimento do Estado-nação e o fortalecimento da corporação apoiada em sua racionalidade técnico-econômica e gerencial. Essa transferência leva, por um lado, ao esvaziamento do Estado, reduzido à administração e à gestão, e, de outro, à politização da empresa, que expande sua esfera de poder muito além de sua atividade tradicional de produção. A corporação tende a se tornar o novo poder político-cultural.

(Pierre Musso. “Na era do Estado-empresa”. http://diplomatique.org.br, 30.04.2019. Adaptado.)

Coerentes com o neoliberalismo, as propostas do Estado-empresa convergem para

(A) a apropriação das forças produtivas pelo Estado e a defesa da igualdade social.

(B) o pluralismo democrático e a redistribuição de renda por programas de assistência social.

(C) a regulamentação da força de trabalho e a defesa da produção flexível.

(D) o protecionismo econômico e a implantação de políticas fiscais contra a inflação.

(E) a adoção de privatizações e a mínima intervenção do Estado na economia.

 

7. (PUCCAMP) O mundo da globalização é um mundo onde metade da riqueza mundial é produzida sobre 1% das terras emersas. Uma das bases do processo de globalização é a doutrina econômica do neoliberalismo que apresenta, entre outras propostas,

(A) a implementação de políticas protecionistas para manter as empresas privadas nacionais e as estatais.

(B) o fechamento das fronteiras nacionais para garantir elevados saldos da balança comercial.

(C) o incentivo à presença do Estado em setores estratégicos da economia, como a indústria naval e aeronáutica.

(D) a implantação de limites à privatização e à fusão de empresas, comuns no final do século XX.

(E) a desregulamentação do mercado de trabalho que permite reduzir os custos das empresas.

 

8. (UERJ) Brasília - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do Ministério da Justiça condenou, ontem, as empresas Roche, Basf e Aventis. Segundo o Cade, essas empresas teriam restringido a oferta e elevado os preços no Brasil das vitaminas A, B2, B5, C e E, na segunda metade dos anos 90. Elas também teriam impedido a entrada de vitaminas chinesas, a preços mais baratos, no Brasil. As empresas já haviam sido condenadas por práticas semelhantes na Europa e EUA.

Juliano Basile. Adaptado de Valor Econômico, 12/04/2007

Desde o final do século XIX, tornou-se um aspecto marcante do modo de produção capitalista a formação de grandes empresas capazes de controlar a maior parte ou mesmo todo o mercado de um ou mais produtos.

A notícia acima expressa a seguinte prática presente nessa realidade centenária, associada à seguinte característica do atual momento econômico:

(A) holding - fusão de companhias do mesmo setor.

(B) cartel - controle do mercado em escala planetária.

(C) oligopólio - padronização mundial das leis de concorrência.

(D) dumping - protecionismo para produtos de países emergentes.

 

9. (ENEM) Concorrer e competir não são a mesma coisa. A concorrência pode até ser saudável sempre que a batalha entre agentes, para melhor empreender uma tarefa e obter melhores resultados finais, exige o respeito a certas regras de convivência preestabelecidas ou não. Já a competitividade se funda na invenção de novas armas de luta, num exercício em que a única regra é a conquista da melhor posição. A competitividade é uma espécie de guerra em que tudo vale e, desse modo, sua prática provoca um afrouxamento dos valores morais e um convite ao exercício da violência.

SANTOS, M. Por uma outra globalização: do pensamento único a consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2006.

De acordo com a diferenciação feita pelo autor, que prática econômica é considerada moralmente condenável?  

(A) Adoção do dumping comercial.   

(B) Fusão da função administrativa.    

(C) Criação de holding empresarial.    

(D) Limitação do mercado monopolista.   

(E) Modernização da produção industrial.

 


10. (PUC–PR) Associe as colunas:

1 – Cartel   2 – Truste   3 – Monopólio   4 – Oligopólio   5 - Holding

 

(    ) Domínio do mercado por uma única empresa.

(    ) Domínio do mercado por poucas empresas.

(    ) Fusão de várias empresas para dominar o mercado.

(    ) Organização que controla várias empresas mediante o controle majoritário das ações.

(    ) Acordo ou associação de várias empresas independentes para controlar o mercado.


Assinale a sequência correta:

(A) 2 - 1 - 3 - 4 - 5  

(B) 4 - 2 - 5 - 1 - 3  

(C) 3 - 4 - 2 - 5 - 1  

(D) 5 - 4 - 2 - 3 - 1  

(E) 1 - 2 - 4 - 3 – 5


GABARITO:

1 E

2 B

3 D

4 E

5 C

6 E

7 E

8 B

9 A

10 C


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