sexta-feira, 26 de outubro de 2012

MIGRAÇÃO PENDULAR E TRANSUMÂNCIA


Nesse texto abordamos dois tipos de movimentos populacionais cujas características despertam interesse e dúvidas nos alunos. Por isso, apresentamos cinco perguntas importantes para você dominar esses temas.

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O que é Migração Pendular?

Migração Pendular é um movimento populacional regular em que as pessoas viajam da cidade em que residem para outra cidade onde trabalham ou estudam em tempo integral. A rigor, não se trata de uma migração já que o tempo de permanência não é longo e os movimentos definidos como migração são entendidos como movimentos definitivos ou de longa duração.

Metrô do Rio de Janeiro lotado.

A Migração Pendular é, necessariamente, um movimento diário?

Tomando por base a definição estabelecida acima, podemos afirmar que as migrações pendulares não devem ser entendidas somente como movimentos de caráter diário mas de qualquer intervalo de tempo, desde que se trate de um movimento regular em que o tempo entre a ida e a volta não seja muito longo.

Quais são os principais exemplos de Migração Pendular?

No campo, o principal exemplo de movimento pendular é o realizado pelos trabalhadores volantes, conhecidos popularmente como boias-frias. Em geral, eles se deslocam no início da manhã, da cidade em que vivem para o campo, de onde voltam para suas casas, na cidade, no final do dia.

Outra situação exemplar é a dos trabalhadores que moram nos municípios de uma Região Metropolitana e fazem o movimento diário de suas cidades para trabalhar na metrópole ou em outra cidade da região. A lotação dos meios de transporte intermunicipais e os congestionamentos das vias urbanas e interurbanas no início da manhã e no fim do dia são fortes evidências desse movimento.

Entre os casos em que o movimento não é diário, destacam-se as seguintes situações:

1 – Executivos – Muitos viajam da cidade em que vivem para a cidade em que trabalham no início da semana, abrigam-se em hotéis ou apart-hotéis, e retornam para casa no fim de semana.

2 – Políticos – Deputados estaduais, deputados federais, senadores e outros representantes políticos vivem, em muitos casos, em cidades diferentes daquela em que trabalham. O próprio Congresso Nacional do Brasil não possui reuniões plenárias regulares nos dias de segunda-feira e sexta-feira pois esses são os dias em que os parlamentares chegam e saem de Brasília.

3 – Petroleiros – Muitos trabalhadores petroleiros passam de 10 a 15 dias consecutivos embarcados em plataformas de petróleo, de onde retornam para casa para alguns dias consecutivos de descanso.

4 – Profissionais liberais – Médicos e professores muitas vezes possuem empregos diferentes. Sendo assim, alguns acabam viajando pelo menos uma vez por semana para outra cidade a fim de realizar um plantão ou ministrar suas aulas semanais .

Quais são as principais diferenças entre Migração Pendular e Transumância?

A migração pendular e a transumância têm em comum o fato de serem movimentos regulares com ida e retorno periódicos. A transumância é um movimento descrito tradicionalmente como sendo executado por rebanhos, vaqueiros e pastores que sobem montanhas no verão em busca do clima ameno das altitudes e descem para as planícies no inverno fugindo do rigor do frio nas montanhas. Fica claro que trata-se de um movimento sazonal, ou seja, regulado pelas estações do ano, o que não ocorre nos movimentos pendulares.

No entanto, o movimento de transumância ganha outro significado quando interpretado do ponto de vista de trabalhadores rurais. O termo “transumância” é usado para designar o movimento migratório realizado por camponeses que vão para a cidade em busca de emprego nos períodos em que o calendário agrícola não oferece trabalho no campo. Numa questão do primeiro exame de qualificação da UERJ de 2009, o movimento é apresentado a partir de um texto de jornal que o descreve do seguinte modo, com grifo nosso na frase definitiva [1]:

Assim, conversinha mole e a criançada que se multiplica. ‘Eu não vou para São Paulo’, anuncia Ari Félix, 12. Mas o irmão dele foi. ‘Difícil ficar’ é a frase mais repetida. Safras perdidas, falta de emprego, família crescendo. A soma faz os homens alternarem: seis meses lá, seis meses cá. Acostumada às despedidas, Vila São Sebastião sabe a rotina: abraços, apertos de mão e adeusinhos frenéticos que, no caso deles, sempre querem dizer ‘até logo’”.

Como as transformações no campo e na cidade contribuíram para Migração Pendular nas Regiões Metropolitanas brasileiras?

O processo de modernização do campo que ganha força no Brasil a partir da crise de 29 e se expande nos anos 1960 e 1970 promove transformações nas relações de trabalho e de produção rurais que tem como consequência uma forte liberação de mão de obra e uma notável concentração fundiária.

Essas realidades associadas às transformações impostas pelo avanço da industrialização nas principais cidades do país, movida pelo desenvolvimentismo brasileiro, criaram uma grande atração de pessoas para esses centros urbanos. Assim, o Brasil observou, em meados da década de 1960, uma mudança na distribuição espacial da população, que passou a viver mais em áreas urbanas do que em áreas rurais.

Diante dessas metamorfoses, podemos dizer que ao mesmo tempo em que o Brasil se urbanizava, o país vivia o processo de metropolização [2] de suas principais capitais, sendo ambos os processos resultados de um fantástico fluxo migratório no sentido campo-cidade observado naquele contexto. Fluxo que convencionamos chamar de êxodo rural, pelo caráter de massa dessas migrações internas.

Assim, o acelerado crescimento dos aglomerados metropolitanos se traduz no crescimento do núcleo metropolitano e, principalmente, na expansão das suas periferias, que nas últimas três décadas passaram a crescer mais rápido que seus respectivos núcleos. É a população residente nessas cidades periféricas em expansão que vai protagonizar os movimentos pendulares diários, principalmente no sentido periferia-núcleo-periferia.


REFERÊNCIAS:


[2] Fausto Brito e Joseane de Souza: Expansão urbana nas grande metrópoles e o significado das migrações intrametropolitanas e da mobilidade pendular na reprodução da pobreza. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392005000400003&script=sci_arttext

2 comentários:

Gustavo Matos disse...

Muito bom conteúdo. Ajudou bastante. VLW!

Liliana Leitao disse...

Optimo site, muitos parabêns. Ajudou-me imenso para um teste. Continue o bom trabalho.